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Bicicletas tiram comboios dos carris

Linhas abandonadas, comboios enferrujados e estações vandalizadas ainda fazem parte da paisagem em algumas zonas do País, nomeadamente em Trás--os-Montes e Alentejo. Valorizar o património ferroviário com a recuperação das linhas para a instalação de ecopistas (circuitos de bicicletas), transformar antigos dormitórios e estações em pequenas unidades hoteleiras e museus ligados à ferrovia são os projectos que a Invesfer, empresa que gere o património da Refer, gestora da infra-estrutura ferroviária nacional, tem em curso. Este projecto conta com o apoio dos municípios, que em alguns casos reabilitam por sua iniciativa o património abandonado.Vicente Pereira, responsável da Invesfer, revelou ao DN que os edifícios mais emblemáticos vão ser recuperados para criar uma rede de pequenas pousadas, que vão privilegiar os antigos dormitórios dos ferroviários. Neste caso estão os dormitórios no Pocinho, estação terminal da Linha do Douro, que no passado seguia até Barca d'Alva e cujos edifícios vão também ser recuperados para hotelaria. A reconversão de estações em núcleos museológicos é outro projecto em curso.A ecopista resume-se ao aproveitamento do canal ferroviário para actividades de lazer, como passeios a pé e de bicicleta, muito ligados ao turismo de natureza. São mais de 600 quilómetros de linhas ferroviárias desactivadas e muitas estações abandonadas. Só em Trás-os-Montes existem 300 km de linhas, divididas pelas linhas do Corgo, Tua e Sabor. Em alguns troços já funcionam pequenas ecopistas que neste plano vão ser prolongadas, como é o caso de Moncorvo, na Linha do Sabor, e entre Valença-Monção, no antigo ramal de Monção. Algumas linhas estão desactivadas há muitos anos, existem locais onde a passagem do comboio só faz parte da memória dos mais velhos. São os casos das linhas do Dão e do Vouga, que a Câmara de Viseu reabilitou e transformou em percursos pedestres de grande beleza, onde os visitantes atravessam as antigas pontes ferroviárias e passam pelos túneis onde circularam no passado os comboios a vapor.Associar os municípios ao projecto e chamar a iniciativa privada para o seu desenvolvimento é a intenção da Invesfer. Vicente Pereira adianta que as autarquias podem recorrer a fundos comunitários para desenvolver estes projectos. A empresa, diz, "não possui know-how para desenvolver actividades fora da ferrovia. O nosso papel é promover, valorizar e divulgar o património e integrá-lo nas ecopistas ou na economia local e procurar interessados". A Invesfer concessiona os espaços, não estando prevista a sua venda, que continua a fazer parte do domínio público.A wine house que vai abrir em breve na estação do Pinhão é um exemplo daquilo que a gestora ferroviária pretende desenvolver. A Invesfer contactou o Grupo Amorim para "auscultar o seu interesse para desenvolver actividades hoteleiras em estações desactivadas". Até agora, adiantou Vicente Pereira, "não tivemos resposta".Trás-os-Montes é a zona com maior intervenção. O conjunto de edifícios de Barca d'Alva vai ser recuperado para dar lugar a uma unidade hoteleira e existem intenções de integrar a estação no Circuito dos Castelos. A Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo projecta para um dos imóveis a instalação de um centro de interpretação ligado ao rio Douro. A estação de Macedo de Cavaleiros, na Linha do Tua, vai também receber uma unidade hoteleira associada a uma ecopista até à barragem do Azibo. A região possui vários museus ligados à actividade ferroviária, como em Arco do Baúlhe, Vila Real e Chaves e existe projecto para Bragança.Mais para sul, a ideia é avançar com uma ecopista desde o Montijo ao Pinhal Novo. O Alentejo é a zona que vai concentrar as atenções do encontro que se realiza, entre hoje e amanhã, em Évora, para discutir o futuro do património ferroviário português. Para a região existem várias intervenções projectadas em linhas e ramais desactivados. Em Estremoz, o comboio de mercadorias vai deixar de ir ao centro da cidade e a estação será reconvertida num museu ligado à actividade ferroviária. No Alentejo, muitos quilómetros de carris vão dar lugar a ecopistas. Estamos a falar, nomeadamente, dos ramais de Évora-Mora, Évora-Reguengos de Monsaraz, Montemor-Torre da Gadanha, Estremoz-Vila Viçosa, Beja-Moura e Estremoz-Portalegre. Este último vai servir para apresentar o ciclorail (bicicletas adaptadas aos carris).

Fonte: Jornal Diário de Notícias de 23 de Maio de 2008
Jornalista: Leonor Matias

Comentários

Anónimo disse…
Nos anos 50 e 60,as estações,dos ramais de Moura,Reguengos,Portalegre,linha de Evora a Vila Viçosa,eram mais rentáveis,do que as estações da linha da Beira Alta e Beira Baixa.Encerrarem todos os ramais que citei foi um crime contra o ALENTEJO CELEIRO DE PORTUGAL.Devem saber que o ALENTEJO,é uma das provincias,mais ricas de PORTUGAL.Estas linhas devem ser renovadas com travessas de betão e polas ao serviço dos portugueses.O Alentejo CELEIRO DE PORTUGAL está sem combóios.É uma vergonha o que fizeram.O combóio é o transporte para o FUTURO de PORTUGAL.Arrancaram todos os carris do ramal de Móra,e alguns das outras linhas,para que?Quem mandou destruir,o que estava feito?Quem comprou tantos quilómetros de carril e não só?Para terminar ,não eram as estações,do Alentejo que davam prejuiso,eram outras.As estatisticas mensais das estações,podem ainda provar.Sei por experiencia propria,que a estações da B Alta,e B Baixa,eram,muito pobres em transportes de mercadorias.Assim o Alentejo,ficou mais pobre.Mauricio Arrais.Abrantes.3/11/2010.

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