terça-feira, setembro 27, 2011

MCDT

Os meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT) desempenham um papel fundamental na actividade clínica, possibilitando ao médico prescrever ao paciente o tratamento mais ajustado em cada momento. A evolução tecnológica verificada nos últimos anos, permite oferecer actualmente um leque alargado de novos meios complementares, suportados na mais sofisticada tecnologia. Existem dois tipos de meios complementares - os de diagnóstico e os de terapêutica.

O sector dos MCDT sempre se pautou por uma elevada diferenciação tecnológica incorporada em cada equipamento, aliado a um software médico cada vez mais avançado, traduzindo-se num constante e elevado custo de investigação e desenvolvimento para a indústria. O investimento necessário à instalação deste tipo de equipamento é bastante elevado, o que tornou necessário a definição de critérios técnicos e clínicos mais apertados para a instalação de alguns destes equipamentos, além de ratios populacionais. A Resolução do Conselho de Ministros n.º 61/95, de 28 de Junho, estabelece os ratios a que deve obedecer a instalação do equipamento médico pesado, nomeadamente para as áreas de Angiografia Digital, Radioterapia Externa, Braquiterapia, Tomografia de emissão de positrões, Câmaras gama e Radiocirurgia com gamma knife.

A forma mais comum de realização de MCDT é através de prescrição médica. No entanto, assiste sempre ao utente a possibilidade de se auto propor à realização de um determinado exame. Contudo, neste caso, os custos da realização desse exame serão integralmente suportados pelo utente.

Actualmente, centenas de prestadores públicos e privados possibilitam a realização de MCDT, oferecendo ao utente um alargado e diversificado leque de opções, com excelentes tempos de resposta. A realização de MCDT envolve um custo elevado para a entidade responsável pelo pagamento dos cuidados de saúde (SNS, subsistemas de saúde, seguros de saúde ou o próprio utente).

O grande desafio que se coloca nos dias de hoje ao sector dos MCDT, centra-se na necessidade de optimizar a capacidade instalada nos prestadores públicos. A ineficiência que se verifica pode resultar de diversos factores:

Pressão da procura – a prescrição de MCDT sem critérios de necessidade bem identificados e justificados, resulta em realização de exames desnecessários. Na maioria das vezes, ao procurar aumentar a eficiência do prestador, não se actua do lado da procura, mas sim do lado da oferta - reforça-se a capacidade e contratam-se mais recursos;

Inexistência de guidelines (protocolos) terapêuticos – as boas práticas clínicas recomendam a implementação de guidelines terapêuticos para o tratamento de diversas patologias. Estes guidelines permitem definir um padrão de tratamento, traduzindo-se numa uniformização de procedimentos. Como exemplo, se para uma determinada patologia um determinado guideline recomendar a prescrição de um exame de Tomografia Axial Computorizada (TAC), e o clínico prescrever um exame de Ressonância Magnética, só com uma justificação bem fundamentada deverá ser realizada. Assim, evita-se a aplicação de um exame complementar mais diferenciado e com maior consumo de recursos e liberta-se essa capacidade para as situações que necessitam realmente da realização desse exame;

Fraca capacidade de fixação de recursos humanos diferenciados / modelo de remuneração pouco atractivo – um dos grandes desafios que se colocam aos prestadores públicos de MCDT é a fixação de recursos técnicos altamente especializados e diferenciados, em especial nas regiões do interior. Os grandes centros públicos prestadores de MCDT encontram-se instalados nos hospitais do SNS e, como sabemos, os hospitais mais diferenciados encontram-se nas grandes áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, por servirem um grande número de pessoas e, nalguns casos, vocacionados para o ensino e para a investigação. Um hospital do interior, com uma baixa diferenciação, tem actualmente grande dificuldade em contratar um médico. Pelo contrário, nos grandes centros hospitalares e hospitais centrais, por via de uma maior diferenciação, existem mais e melhores equipamentos ao dispor dos profissionais, motivando-os. De igual forma, devido à escassez de profissionais nas áreas dos MCDT, surgem variadas oportunidades de trabalho no sector privado, com ofertas remuneratórias bastante atractivas, e que são uma oportunidade para compensar os baixos salários auferidos por estes profissionais no sector público. Contudo, coloca-se o desafio ao sector público, em plena crise económica e de redução de custos com a saúde, de ponderar o modelo remuneratório dos profissionais médicos, e avaliar a capacidade de introduzir um modelo remuneratório individual e por objectivos, baseado em critérios de diferenciação técnica, que motive os profissionais a realizar mais para ganhar mais;

Inexistência de uma rede de informação robusta que permita a consulta e a requisição de exames entre os centros de saúde / Unidades de Saúde Familiares (USF) e os hospitais / prestadores privados – um determinado utente que realize MCDT numa ida à urgência, caso queira ser depois seguido no seu centro de saúde / USF pelo seu médico de família, tem de levar consigo os exames que realizou. Mas, caso não os possua, o médico de família irá prescrever novos exames, alguns deles repetidos. Desta forma, a existência de uma rede de informação e a possibilidade de partilha dos resultados dos exames realizados pelos utentes, quer tenham sido realizados num determinado laboratório privado ou num hospital público, pelos centros de saúde e até pelos médicos privados (clínicas privadas, hospitais privados), irá permitir uma redução drástica dos MCDT realizados. Tal medida, teria grandes implicações ao nível dos custos do SNS e permitiria optimizar os recursos instalados nos prestadores públicos, reduzindo a necessidade de contratação externa de alguns serviços. Mas os benefícios são mais vastos e podem ter impacto na produtividade e na qualidade de vida dos utentes. Na maioria das vezes, a realização de MCDT implica deslocações (algumas de grandes distâncias) e ausências no trabalho. Reduzindo a realização de MCDT por uma melhoria da partilha de informação, melhora-se os ganhos de eficiência, de produtividade para o país, e de qualidade de vida para o utente.

Deve ser ressalvada a evolução paradoxal que se tem verificado no sector da saúde: por um lado, equipamentos de alta diferenciação técnica, com softwares de última geração, implementação de soluções integradas de gestão (ERP’s) e sistemas de paper free, por outro, fraco / nenhum investimento na rede informática da saúde e limitações na partilha de informação.

Existem diversas oportunidades nesta área que podem e devem ser exploradas, que permitirão optimizar os serviços a disponibilizar ao utente, e ao mesmo tempo proporcionar cuidados de saúde de qualidade a um custo mais reduzido.

Este artigo encontra-se igualmente publicado na Plataforma Barómetro Social, área Saúde.

Daniel Galvoeira

sexta-feira, julho 22, 2011

segunda-feira, maio 02, 2011

Reabertura da Linha de Évora

O troço ferroviário Bombel-Casa Branca-Évora, na Linha do Alentejo, encerrado para obras de modernização e eletrificação desde 01 de maio de 2010, vai reabrir a 23 de julho, anunciou a Rede Ferroviária Nacional.
De acordo com a empresa, as obras em curso compreendem uma “reabilitação profunda da plataforma ferroviária nos cerca de 37 quilómetros de via entre Bombel e Casa Branca e a eletrificação de todo o traçado até Évora”.
A REFER indicou também que a instalação de novos sistemas de sinalização eletrónica e de controlo de velocidade viabiliza “a prática de velocidades da ordem dos 190/200 km/h”, o que permite uma redução do tempo de percurso entre Lisboa e Évora de cerca de 20 minutos.
As obras naquele troço representam um investimento de 48,4 milhões de euros e deveriam terminar no sábado, mas estão atrasadas devido ao mau tempo que se verificou desde outubro.

Rádio DianaFM - Abril 2011

Remodelação do Parque Escolar

O futuro de Portugal e de todos nós, passa pelo investimento na educação. Só com elevado nível de qualificações é possível melhorar o nosso País. É necessário combater a exclusão e apostar nos nossos jovens, canalizar as nossas energias para que os nossos filhos possam ter mais e melhores qualificações que nós.

José Sócrates em Évora

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Sobre a notícia publicada no Correio da Manhã intitulada Utentes ponderam boicote às eleições

Para quem deseje estar informado, a REFER disponibiliza no seu sítio na internet o Directório de Rede de 2011 e 2012. Entre muitas outras coisas, está referido o plano de investimentos a realizar nas linhas ferroviárias de todo o País. Se tivesse sido lido, estes Srs. de Beja tinham ficado a saber que a REFER, após a conclusão da obra no troço Bombel - Casa Branca, prevê intervir na modernização e electrificação da linha desde Casa Branca até Beja, bem como substituir as travessas da linha entre Beja e Funcheira.
Na minha óptica, e numa óptica de racionalidade económica (tanto tem sido defendido nos últimos tempos), reinvindicar um comboio directo de Beja para Lisboa (em comboio com tracção diesel), quando 2/3 da linha irá ficar elelectrificada. A solução proposta pela CP e divulgada amplamente na comunicação social, denota a preocupação que a empresa teve em, por um lado optimizar os custos operacionais e a capacidade dos comboios intercidades para Évora (com tracção totalmente eléctrica após as obras de modernização em curso), bem como não deixar a população de Beja sem acesso a este serviço público.

Não tendo nenhuma ligação à REFER, como leitor e cidadão, não posso deixar de referir este facto e concluir que a posição tomada nesta reunião foi forçada por manifesta e deliberada (des)informação dos cidadãos.

domingo, janeiro 02, 2011

Pouco dinheiro e pouca gente param o pouca-terra - Local - PUBLICO.PT#

O serviço regional é dispendioso e a contenção orçamental não perdoa. A CP vai retirar-se de algumas linhas do país, deixando estações e apeadeiros vazios, e aldeias que já só verão passar os comboios de mercadorias. Na nova geografia ferroviária não há lugar para as regiões do Alentejo e do Norte.

Foram-se os centros de saúde, os correios, as escolas primárias. Chegou agora a vez dos comboios. Em algumas terras do interior o pouca-terra vai deixar de apitar porque a CP decidiu suprimir a sua oferta onde ela é especialmente deficitária. O mapa ferroviário português vai voltar a encolher, deixando ainda mais a descoberto extensas áreas do país.

Na calha estão as linhas de Marvão a Torre das Vargens (65 quilómetros) e de Beja a Funcheira (62 quilómetros). Mas os cortes não atingem apenas o Interior profundo. No Ribatejo, entre Coruche e Setil (32 quilómetros) vai desaparecer uma experiência com pouco mais de um ano de reactivação de um serviço ferroviário. E mesmo em plena região urbana do Porto vai acabar uma oferta que começou torta e por isso nunca se endireitou: os 56 comboios diários entre Ermesinde e Leça do Balio (11 quilómetros).

Este serviço numa linha de mercadorias, inaugurado em Setembro de 2009, resultou da assinatura de um protocolo entre a CP, Refer e Câmara de Matosinhos, e deveria ter sido prolongado este ano até Leixões, mas a Câmara de Matosinhos e a Refer desentenderam-se e a CP aproveitou a birra para acabar com um serviço que só lhe dá prejuízo. E com isto já lá vão 170 quilómetros onde as automotoras da CP deixam de transportar passageiros.

Mas há que somar-lhes mais 144 quilómetros, que são as linhas que fecharam em 2009 com a promessa de que seriam reabertas depois de obras de modernização que as poriam como novas. Não foram simples declarações. Houve cerimónias e comitivas lideradas pela então secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, a anunciar a autarcas e a governadores civis o radioso futuro das vias-férreas do Corgo (26 quilómetros) e do Tâmega (13 quilómetros). Meses antes tinham sido fechados os 51 quilómetros da linha Figueira da Foz-Pampilhosa (que serve Cantanhede). A Refer prometeu fazer obras. Mas já não há dinheiro.

E falta a linha do Tua, verdadeiro ex-líbris de um caminho-de-ferro do interior, encravado na rocha, sobre o qual sobraram promessas de modernização associadas ao turismo da região duriense. Da foz do rio Tua a Mirandela esta linha mede 54 quilómetros, parte dos quais ficarão inundados pela barragem da EDP. Por enquanto o serviço é assegurado por autocarros ao serviço da CP, mas, como era de esperar, a empresa vai acabar com isso. Afinal o seu negócio é comboios. Não é autocarros. Nova soma, e chegamos, pois, a 314 quilómetros.

A este mapa (ver página 6) falta juntar a os troços que estão fechados para obras e que, quando reabrirem, já não terão serviço regional. Será o caso do eixo Guarda-Covilhã (46 quilómetros) na linha da Beira Baixa e do troço Pinhal Novo-Vendas Novas na linha do Alentejo (42 quilómetros). Ao todo serão 356 quilómetros de linhas que ficam sem serviço regional, das quais 144 quilómetros desaparecem do mapa ferroviário nacional e 212 manterão ainda comboios de mercadorias e serviços de longo curso.

Refer perde receitas

Em relação a estas últimas, a supressão dos regionais significa que a empresa pública Refer vai continuar a ter gastos na manutenção e conservação das linhas, mas terá menos receita. Isto porque a CP pagar-lhe-á menos taxa de uso (portagem ferroviária) por já nelas não passarem tantos comboios. Já para a transportadora esta opção global representa um alívio nos seus prejuízos de exploração, esperando a empresa com este cortes contribuir para melhorar os seus resultados operacionais em 2011 na ordem dos 42,3 por cento.

Em entrevista ao PÚBLICO em 2/08/2010, José Benoliel, da CP, afirmava que "o país tem uma meditação a fazer - será que em todos os casos é o modo ferroviário o mais indicado para garantir a acessibilidade? Ou será que em determinadas circunstâncias não haverá outros modos de transporte muito mais aptos e eficazes?" Mas, a ter acontecido, esta meditação foi feita nos gabinetes e não debatida publicamente. A premência do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) ditou a decisão de acabar com os comboios mais deficitários. No entanto a CP assume como sua missão "operar em todo o território nacional, oferecendo serviços de transporte público ferroviário como essenciais para o desenvolvimento do país e para a sua coesão social e territorial". É o que consta no sítio da Internet da empresa, onde esta também refere que os seus valores são a "Verdade, Honestidade e Transparência". Apesar disso, a CP não deu ao CIDADES o número de passageiros transportados nas linhas que agora vêem desaparecer os comboios regionais, não se sabendo quantos milhares de pessoas são afectados com os encerramentos e o fim do serviço regional.

Mesmo nas linhas em que estes comboios não acabam, haverá redução do serviço prestado. A lista da CP prevê suprimir quatro comboios (dois em cada sentido) entre Régua e Pocinho - o que significa uma redução de 40 por cento face à oferta existente - e um comboio em cada sentido entre Vilar Formoso e Guarda (só circulam aqui três em cada sentido). Entre o Entroncamento e Castelo Branco vão desaparecer duas circulações em seis dias da semana e na linha do Sul serão suprimidos dois comboios diários entre Setúbal e Tunes e mais dois entre Funcheira e Setúbal. A transportadora vai ainda "avaliar a supressão de quatro circulações diárias entre Covilhã e Castelo Branco" e acabar com o único comboio directo que existe entre Caldas da Rainha e Coimbra.

Falta articulação

Em 2010, o serviço regional da CP deu 56,6 milhões de euros de prejuízo (dos quais 48 milhões foram prejuízos operacionais), o que não surpreende, tendo em conta que está desligado das restantes unidades de negócios da CP, com as quais não faz correspondências. A oferta da CP Longo Curso não está alinhada com a do Regional para potenciar o efeito de rede do sistema ferroviário. Há horários em que o comboio regional partiu alguns minutos antes da passagem do Alfa Pendular ou do Intercidades, e noutros casos o passageiro que queira prosseguir viagem não tem correspondência em tempo útil no regional.

A fraca procura - que tem grandes repercussões nos resultados de exploração - não se deve, por isso, apenas ao definhamento do interior. Nem tão-pouco ao facto de a A23 ter praticamente matado o serviço ferroviário da linha da Beira Baixa e de a A8 ter comprometido a procura na linha do Oeste. As razões têm, também, que ver com actos de gestão da CP, que foi relegando o serviço regional para as margens do sistema. Por exemplo, na linha do Norte, onde se situa a maior procura em termos de passageiros, a empresa decidiu que aquele serviço não seria prestado de Aveiro para norte. Quem quiser seguir para o Porto terá de mudar para um suburbano da CP Porto, o que limita as receitas dos regionais em favor da outra unidade de negócios.

Os transbordos desencorajam os passageiros a viajar de comboio (sobretudo se forem idosos, e há-os cada vez mais no país), mas a CP multiplica-os por toda a rede. Recentemente, deputados do PSD viajaram de comboio entre o Rossio e as Caldas da Rainha e tiveram que apanhar três comboios. Do Bombarral para Coimbra é preciso mudar duas vezes e viajar em três composições. E até a linha do Norte tem o serviço regional segmentando, obrigando os passageiros a saltitar de composição em composição.

Não é por acaso que a CP Regional e a CP Longo Curso resultam da cisão da antiga UVIR (Unidade de Viagens Interurbanas e Regionais). A administração separou a "carne do osso", acarinhou o longo curso (que tem uma taxa de cobertura próxima dos 100 por cento e poderá vir a ser privatizado ou concessionado) e deixou os serviços regionais com os prejuízos. E chegados a este ponto, um cidadão que olhe para o descalabro das contas da empresa conclui que as supressões de comboios são um acto de gestão inevitável.


Fonte: Jornal Público - 02-01-2011


A verdade é esta: a CP não tem sabido articular os horários entre os diferentes tipos de comboios (má gestão, ineficiência operacional...) o que tem contribuído para afastar as pessoas dos comboios. Consequentemente, a falta de passageiros dita o fim do serviço. Infelizmente, tenta-se passar a ideia que tudo é culpa da desertificação...as várias administrações da CP deveriam ser responsabilizadas pela má gestão e por todos os milhões de prejuízo acumulado.