Avançar para o conteúdo principal

O salário mínimo deve continuar a subir

José Sócrates tentou marcar o primeiro debate quinzenal deste Governo com o anúncio da subida do salário mínimo nacional para 475 euros, mais 25 euros do que é pago actualmente.

O primeiro-ministro não teve muita sorte com o seu truque - o debate no Parlamento acabou por ficar marcado pela quente troca de palavras com a oposição sobre a Face Oculta -, mas o valor do salário mínimo nacional é um assunto inquestionavelmente importante para a economia e a sociedade portuguesa.
Não é preciso ser S. Francisco de Assis para ter a noção de que 475 euros é um salário baixo. Qualquer família que tenha este nível de rendimento, vive mal. Assim, qualquer governo deve ter na sua agenda a subida do salário mínimo nacional. É uma questão social. Ainda assim, é mais complicada do que parece pois não basta decidir politicamente o aumento, é preciso que as empresas tenham capacidade para pagar. Caso contrário, está-se basicamente a promover mais falências e desemprego.
É por isto que há economistas que são contra a existência de um salário mínimo. Porque está a fixar-se artificialmente um valor para as trocas no mercado de trabalho, não tendo em conta que há pessoas que podem aceitar trabalhar por menos e que as empresas vão criar menos empregos já que têm de pagar mais a alguns trabalhadores. Ou seja, está a prejudicar-se a eficiência do mercado e, logo, a provocar desemprego.
Mas deixando a filosofia económica de lado, até porque em Portugal há salário mínimo, a questão que importa saber é qual é o valor adequado para as empresas. E não há obviamente uma resposta única. Depende do sector de actividade e por último da realidade de cada empresa. É por isto que foi muito positiva a resposta dos empresários ouvidos pelo Económico, na última edição do Weekend, desdramatizando a subida do salário mínimo anunciada por José Sócrates. Os 475 euros não parecem ser um obstáculo intransponível para as empresas nacionais. E mais importante, ao contrário do que era habitual, os empresários não usaram a questão dos custos laborais como álibi para as fraquezas de modelo de negócio, que colocam em xeque a competitividade.
Os empresários já aceitaram que a economia portuguesa não pode funcionar com base nos salários baixos, porque será sempre batida pelos asiáticos. A solução está em passar para segmentos de negócio com mais valor acrescentado, com outros níveis de produtividade e que desta forma permitem pagar salários mais elevados.
Assim, a verdadeira batalha que tem de ser abraçada por todos - patrões, empregados, sindicatos e Governo - é a da produtividade. É isto que vai garantir a competitividade externa e o crescimento económico necessário para recuperar a distância para a Europa e salários mais altos para todos. E para isto, mais do que ajudas para as empresas pagarem o aumento do salário mínimo, é importante que o Governo continue a promover a flexibilidade do mercado de trabalho, como fez com as mudanças no código laboral. E que a oposição seja responsável. Não é muito produtivo travar a mudança somente para mostrar força política no actual contexto de Governo de minoria. O melhor é ser catalisador da mudança.
____
Publicado no Diário Económico de 07/12/2009, por Bruno Proença, Director Executivo

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Évora - Casa Branca; Finalmente abriu!

Foi com agrado que assisti ao anúncio da abertura da linha de Évora no troço Évora - Casa Branca, para dia 05 de Novembro de 2006. Este troço, com cerca de 26km, já permite que se demore menos 12 minutos na ligação entre estas duas povoações. Assim, desde dia 05 é possível ir até Lisboa (Sete Rios, Entrecampos e Oriente) de combóio, atravessando a ponte 25 de Abril e demorando apenas 1h55m, sensívelmente o mesmo tempo que o percurso de automóvel sem ir por auto-estrada.
Finalmente Évora entrou no mundo dos combóios actuais, modernos e rápidos, sendo uma mais valia para o turismo eborense mas também para o país, permitindo um maior desenvolvimento de uma região interior, que se depara com cenários de desertificação gradual à sua volta, sendo mais um factor de fixação das populações.
Esta linha insere-se num projecto mais vasto, a ligação de Sines a Badajoz, ligando o porto de Sines a Espanha, para que haja um maior potenciamento das capacidades do porto de Sines e a actracção de novos na…

Exploração ferroviária aberta a privados - Economia - DN

"Ministro diz que as linhas e troços ferroviários que forem desactivados poderão ser viabilizados por outras entidades, nomeadamente privadas.

O ministro das Obras Públicas e Transportes admitiu ontem a possibilidade de outras entidades, nomeadamente privadas, poderem vir a explorar as linhas e troços ferroviários que sejam encerrados no âmbito da avaliação da rede que a Refer tem de apresentar ao Governo, no quadro dos planos de cortes nas empresas da tutela. "Outros agentes, económicos privados, associações de municípios, entre outros, podem encontrar soluções que podem revelar-se ajustadas e adequadas para continuar a prestar qualquer tipo de serviço", disse.

António Mendonça afirmou que "até ao final do ano" serão conhecidos os planos de cortes de todas as empresas da tutela, sublinhando que os planos de redução de custos nas empresas sob a sua tutela são "um processo normal, que decorreu em diálogo, em sintonia, com o ministério".

O ministro expli…

Comboios: ligar Évora a Badajoz arranca esta semana

As obras para ligar, por linha ferroviária, Évora a Badajoz começam esta semana, revelou esta segunda-feira o ministro das Obras Públicas, António Mendonça, após uma reunião com o presidente do Governo de Aragão, Marcelino Iglésias.

O projecto faz parte da construção do Eixo 16, «um grande corredor que vai ligar Portugal, Espanha e França, já considerado de grande importância europeia», como explicou Marcelino Iglésias aos jornalistas.

O objectivo é criar uma ligação ferroviária, em paralelo com a linha de Alta Velocidade, que vai ligar o porto de Sines ao Poceirão «e daqui a Setúbal e a Lisboa no âmbito da terceira travessia sobre o Tejo. De Poceirão seguirá a linha com ligação a Espanha, passando por Algeciras, e depois para França unindo-se com o norte da Europa», sublinhou António Mendonça.

No total, serão investidos 500 milhões de euros, dos quais 180 milhões serão financiados pelo Estado português e pela Refer, e 320 milhões vêm directamente da União Europeia, como disse à AF…