segunda-feira, dezembro 07, 2009

O salário mínimo deve continuar a subir

José Sócrates tentou marcar o primeiro debate quinzenal deste Governo com o anúncio da subida do salário mínimo nacional para 475 euros, mais 25 euros do que é pago actualmente.

O primeiro-ministro não teve muita sorte com o seu truque - o debate no Parlamento acabou por ficar marcado pela quente troca de palavras com a oposição sobre a Face Oculta -, mas o valor do salário mínimo nacional é um assunto inquestionavelmente importante para a economia e a sociedade portuguesa.
Não é preciso ser S. Francisco de Assis para ter a noção de que 475 euros é um salário baixo. Qualquer família que tenha este nível de rendimento, vive mal. Assim, qualquer governo deve ter na sua agenda a subida do salário mínimo nacional. É uma questão social. Ainda assim, é mais complicada do que parece pois não basta decidir politicamente o aumento, é preciso que as empresas tenham capacidade para pagar. Caso contrário, está-se basicamente a promover mais falências e desemprego.
É por isto que há economistas que são contra a existência de um salário mínimo. Porque está a fixar-se artificialmente um valor para as trocas no mercado de trabalho, não tendo em conta que há pessoas que podem aceitar trabalhar por menos e que as empresas vão criar menos empregos já que têm de pagar mais a alguns trabalhadores. Ou seja, está a prejudicar-se a eficiência do mercado e, logo, a provocar desemprego.
Mas deixando a filosofia económica de lado, até porque em Portugal há salário mínimo, a questão que importa saber é qual é o valor adequado para as empresas. E não há obviamente uma resposta única. Depende do sector de actividade e por último da realidade de cada empresa. É por isto que foi muito positiva a resposta dos empresários ouvidos pelo Económico, na última edição do Weekend, desdramatizando a subida do salário mínimo anunciada por José Sócrates. Os 475 euros não parecem ser um obstáculo intransponível para as empresas nacionais. E mais importante, ao contrário do que era habitual, os empresários não usaram a questão dos custos laborais como álibi para as fraquezas de modelo de negócio, que colocam em xeque a competitividade.
Os empresários já aceitaram que a economia portuguesa não pode funcionar com base nos salários baixos, porque será sempre batida pelos asiáticos. A solução está em passar para segmentos de negócio com mais valor acrescentado, com outros níveis de produtividade e que desta forma permitem pagar salários mais elevados.
Assim, a verdadeira batalha que tem de ser abraçada por todos - patrões, empregados, sindicatos e Governo - é a da produtividade. É isto que vai garantir a competitividade externa e o crescimento económico necessário para recuperar a distância para a Europa e salários mais altos para todos. E para isto, mais do que ajudas para as empresas pagarem o aumento do salário mínimo, é importante que o Governo continue a promover a flexibilidade do mercado de trabalho, como fez com as mudanças no código laboral. E que a oposição seja responsável. Não é muito produtivo travar a mudança somente para mostrar força política no actual contexto de Governo de minoria. O melhor é ser catalisador da mudança.
____
Publicado no Diário Económico de 07/12/2009, por Bruno Proença, Director Executivo

quinta-feira, setembro 03, 2009

Corte na Taxa Social Única agrava défice em mil milhões

A medida de redução da Taxa Social Única (TSU), proposta pelo PSD no seu programa eleitoral, teria um peso de pelo menos mil milhões de euros na receita da Segurança Social. Contas feitas, este impacto significaria qualquer coisa como 0,7% do PIB português, com as necessárias consequências em termos de agravamento do défice público.
As propostas dos social-democratas são as que mais agravam o défice público. Com excepção da TSU e da suspensão do Pagamento Especial por Conta (PEC) - com um impacto mínimo - todas as outras não são quantificáveis com os dados conhecidos.

FONTE: Jornal Negócios, Jornalista Filomena Lança

quarta-feira, setembro 02, 2009

Achado inédito em escola de Évora

Uma necrópole romana com quase dois mil anos foi descoberta na escola Secundária Gabriel Pereira, em Évora, durante as obras de requalificação do estabelecimento. A escola já mostrou interesse em ficar com os vestígios romanos encontrados. «Vamos ter um local próprio para os acolher», disse o presidente do concelho pedagógico, Ananias Quintano, à Lusa.
De acordo com a Lusa, esta necrópole romana é a primeira a ser detectada na cidade de Évora. A arqueóloga Conceição Maia afirmou que é «um achado inédito». «Desconhecia-se até agora onde é que as necrópoles romanas estariam implementadas na envolvência da acrópole», afirmou a arqueóloga.
Foi encontrado um «cemitério de incineração, com uma série de sepulturas, do século segundo D. C, em plena época romana, contemporânea do fórum e de toda a acrópole da cidade de Évora», avança Conceição Maia. Inicialmente foram descobertos vestígios de materiais, como cerâmicas, mas depois foi descoberta a necrópole. O espólio encontrado contém taças, contas de colar em vidro e osso, moedas, ganchos de cabelo em marfim e lucernas (luzes alimentadas a azeite).

Fonte: IOL / TVI24 / LUSA

sexta-feira, agosto 28, 2009

O futuro próximo...

Com o ciclo eleitoral cada vez mais próximo, as máquinas partidárias aquecem os motores para uma campanha eleitoral que se prevê quente. Os programas eleitorais estão disponíveis para consulta (excepto o CDS - apresenta Domingo, dia 30/08) e revelam o que já se verifica há uns anos: ausência total de propostas por parte da oposição. Não existem propostas credíveis, nem tão pouco exequíveis neste momento de profunda exigência e rigor para a nossa economia. O PSD fala em "rasgar", "cortar", "suspender", "avaliar", quando o país necessita que o estado entre na fase do "fazer" e "executar" para estimular a economia e o emprego e para criar condições para que no futuro, em tempos de crescimento da economia, se cresça mais depressa. Em Espanha continua a aposta no TGV e nos investimentos estruturantes. O troço Madrid - Valência está em execução. O troço Madrid - Badajoz está em execução. As autopistas (auto-estradas sem portagens, equivalente às nossas SCUT) cobrem o país de lés a lés, com excelentes condições e pisos novos. As cidades e os monumentos estão a ser alvo de investimentos para dinamizar a construção e preparar as cidades para receber melhor os turistas no futuro, criando condições para um rápido crescimento económico. Além do TGV, os espanhóis apostam também na ferrovia convencional.
Mas não são só os espanhóis a apostar no TGV: americanos e brasileiros também já estão a seguir esse caminho.
Na saúde, o PSD encapotadamente abre a porta para as privatizações, através da contratualização com misericórdias e sector privado. O BE e PCP querem voltar atrás e transformar os hospitais EPE em SPA e "rasgar" as parcerias público-privadas existentes e que permitem que os portugueses venham a ter novos hospitais no SNS.
Na educação a mesma coisa. O PSD propõe "rasgar" e "suspender" a avaliação (todos os funcionários públicos serão avaliados com o PSD menos os professores! É justo? É coerente?) sem propor um novo modelo alternativo. O mesmo acontece com BE e PCP - "rasgar" e "suspender" a avaliação dos professores. Ao que parece o CDS seguirá o mesmo caminho - "suspender".
Na segurança social o PSD propõe encapotadamente que venha a ser privatizada (tal como quis fazer a Drª Manuela Ferreira Leite quando era ministra das finanças e que agora com a crise financeira teria produzido resultados ruinosos para os nossos pensionistas) e o BE e PCP propõem aumentar os subsídios de desemprego e baixar as prestações sociais, sem explicarem onde vão arranjar o dinheiro necessário para cobrir essa despesa (será aumento de impostos? Julgo que não, mas a única via será um aumento astronómico do défice, levando o país para o precepício).
Há uns anos quando o PS ganhou com maioria absoluta, todos apontavam o dedo de que era preciso fazer reformas estruturais no nosso país. Reformas que nenhum Governo tinha tido coragem de tomar mas que enquanto oposição as defendiam. O PSD com Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite prometeram mas não cumpriram (terá sido a política de verdade? Talvez seja o mesmo que eles agora prometem). Aumentaram o IVA de 17% para 19%, maquilharam o défice com receitas extraordinárias e venderam ao desbarato as dívidas do Estado ao Citigroup por um valor muito inferior ao real. As reformas estruturais prometidas ficaram na gaveta.
Este Governo do PS e o Eng.º José Sócrates teve essa coragem. Fez as reformas e com isso "comprou" guerras com os interesses instalados, tais como farmácias, juízes, professores, funcionários públicos, médicos, enfermeiros, câmaras municipais, regiões autónomas, advogados, políticos, etc. Não governou para estatísticas nem para a reeleição, mas sim para criar condições para que o nosso país cresça e se torne competitivo. Como se não bastasse as "guerras", ainda lhe calhou enfrentar a maior crise financeira e económica deste século, a pior desde a Grande Depressão ocorrida em 1929. Com o abrandamento da economia mundial era expectável o ajustamento do nosso tecido produtivo e o fecho de empresas pouco competitivas, traduzindo-se num aumento do desemprego e abrandamento da nossa economia. Mas a prova de que as reformas efectuadas foram no sentido correcto, é a saída da recessão no grupo da frente na Europa, juntamente com duas economias fortes, como é o caso da economia alemã e da economia francesa. A Espanha, que até à pouco tempo tinha um saldo positivo nas suas contas públicas, prevê para este ano um défice de cerca de 10%, quase o dobro do que é expectável por cá.
Perante a realidade e a dureza dos números e dos indicadores, compreendo que seja difícil à oposição apresentar medidas marcantes.
Agora resta aos portugueses escolherem o caminho que querem para o futuro do nosso país. Se querem um país imobilizado, estagnado, a retroceder em todas as áreas, sem visão estratégica, então o voto será direita (CDS ou PSD é igual, prepara-se uma coligação). Se os portugueses quiserem um país moderno, com visão de futuro, que crie condições para a geração de riqueza, que apoie os mais desfavorecidos, que faça as reformas estruturais necessárias, então terá de optar pelo PS. Votar BE ou PCP é igual. Ambos não ambicionam ser poder (através de coligações de esquerda) uma vez que têm receio do poder, pois isso inibiria-os de dizer mal. Perderiam os votos e os apoios de que os apoia agora, seriam desmascarados.

quinta-feira, março 05, 2009

Crise Global -> Resultado da Ganância

Há uns meses atrás em meados do ano 2008, quando a crise ainda não era vísivel nem expectável que chegasse à economia real, comentava com um amigo quais seriam as consequências que resultariam com o aumento desenfreado do preço do petróleo. Nessa altura assistíamos a recordes de preço todos os dias, os produtos alimentares subiam desenfreadamente e a inflacção começava a surgir no horizonte de todas as economias. Em consequência da inflacção galopante seguia-se o aumento das taxas de juros para níveis nunca antes vistos.
Como sabemos, o petróleo é uma fonte de energia essencial ao desenvolvimento actual, e o aumento do seu preço trás acrescido consequências que se multiplicam em escala. Ou seja, com o aumento do preço do petróleo sobem os preços dos produtos alimentares, dos plásticos, dos transportes, etc. Com este aumento generalizado de preços dispara a inflacção e para controlar a inflacção sobem os juros as autoridades monetárias.
A subida do preço do petróleo haveria de ter um ponto de ruptura quando as famílias e as empresas vissem a sua capacidade de gastar substancialmente reduzida pelo aumento de juros, alimentos e combustíveis. Com menor capacidade de consumo, menos compras se efectuam, os stocks das empresas aumentam e a necessidade de produção diminui o que leva a reduzir a produção. Com menor produção e necessidade de controlar custos, as empresas tentam ajustar a sua mão de obra à capacidade que necessitam, levando assim ao Lay-Off e ao desemprego.
Resumindo, os grandes responsáveis por esta crise são os especuladores que vivem da instabilidade gerada em torno do preço do petróleo e que apenas se interessam por retirar enormes dividendos. Esses sim devem ser responsabilizados em primeiro lugar pela situação que geraram a nível global. Os países produtores também não estão isentos de culpas, uma vez que quanto maior é o preço maiores são os benefícios e o aumento dos seus orçamentos estatais.
Os agentes económicos em geral devem tirar ilacções e aprender com tudo o que se tem passado, de forma a evitar uma nova crise destas dimensões no futuro. Mas uma certeza devemos ter, há que arranjar urgentemente fontes alternativas de energia que não estejam sujeitas ao nível de especulação de que vive o mercado do petróleo.

quarta-feira, março 04, 2009

Uma boa noticia para o Alentejo
 
Uma nova unidade de transformação, comercialização e exportação de pescado congelado abriu na passada sexta-feira portas na vila alentejana de Arraiolos, com a criação de vinte postos de trabalho. A empresa, denominada Al. Freeze e constituída através de uma pareceria luso-francesa, prevê a expansão até aos 80 postos de trabalho.

Numa altura em que o Alentejo é a região com a maior taxa de desemprego no País (10 por cento), Luís Paiva reconhece que esta unidade "surgiu em boa altura". Segundo o sócio-gerente, a escolha em Arraiolos teve origem no apoio do executivo municipal e na localização da vila. "Estamos no eixo Lisboa-Madrid e próximo de Setúbal. Temos garantias de crescimento e projectos para transformar o pescado de águas interiores", referiu.
1,5 milhões de euros foi o total do investimento na unidade entre os parceiros Luís Paiva de Andrade e a Sociedade Kruz SeaFood S.A.

Fonte: correiodamanha.pt (04-03-2009)

--
Com os melhores cumprimentos,

Gabriel Galvoeira

Nova Imagem

Caros leitores, decidi renovar o aspecto gráfico do blog e espero que vá de encontro às vossas expectativas. Agradeço qualquer comentário ou sugestão.

Continuação de boas leituras.

segunda-feira, março 02, 2009

Novas Fronteiras para Évora

Com os dois primeiros meses do ano já passados, aproxima-se a passos largos o ciclo eleitoral de 2009 em que os cidadãos se verão confrontados com três idas às urnas. Navegamos pelo meio desta crise económica que se abateu sobre todo o Mundo, com particular incidência nas economias asiáticas e dos Estados Unidos da América. A Europa também não ficou imune e sofre com o desemprego e com a recessão.
Este clima de instabilidade gera contestação política e isso é visível em todos os países que se vêm flagelados pelo desemprego e com as dificuldades sentidas pelos seus cidadãos.
De forma a encarar o futuro político com maiores perspectivas e para dar oportunidade ao cidadão anónimo e independente de expor as suas ideias e a sua visão, lançou o PS as Novas Fronteiras em 2004 para as eleições legislativas, de onde surgiu o programa de Governo para estes quatro anos que agora terminam. No congresso do passado fim de semana o movimento Novas Fronteiras voltou a ser falado para que daí resulte o próximo programa de Governo do PS a apresentar nas eleições legislativas.
Não seria de todo descabido pensar num movimento do mesmo género aplicado ao nível local para as eleições autárquicas.
É essencial que se promova o debate de ideias através de um fórum de discussão para que seja possível a elaboração de programas autárquicos robustos e ambiciosos que vão de encontro às necessidades das pessoas. Évora pode liderar e ser pioneira no debate de ideias com a sua população.