sábado, julho 23, 2005

O Défice Comercial

É reconhecido por todos que a nossa balança comercial está desequilibrada. Não somos suficientemente competitivos para conseguirmos colocar lá fora os nossos produtos. Por outro lado, devido ao nosso consumo, somos obrigados as comprar "lá fora" o que
não encontramos cá. Há uma certa mentalidade dos nossos empresários que é reflexo da mentalidade portuguesa. Deixamos tudo para a última hora, não fazemos os investimentos necessários à melhoria da produção na altura certa e quando acordamos para o problema já é tarde de mais, já outras empresas estrangeiras o fizeram, logo perdemos quota de mercado e competitividade. Há que ter percepção de que tudo gira muito rápidamente neste mercado global, com comunicações cada vez mais rápidas e com mudanças cada vez mais frequentes em todos os domínios. Há que ter capacidade de antecipar a mudança e apostar em novos conceitos, novos produtos, novos processos produtivos. Acima de tudo é preciso saber investir na altura certa para nos anteciparmos aos nossos concorrentes directos. Temos cá dos melhores profissionais. A prova disso é que os nossos emigrantes lá fora são elogiados porque produzem, porque são competentes. E porquê não o são cá?
Esta questão fica no ar, pois o tema deste post é o défice da balança comercial e já me estava a desviar do tema. Existe uma forma fácil e simples de ensinar as pessoas a comprarem produtos produzidos em Portugal, consumindo desta forma mais produtos portugueses, ajudando a diminuir dessa forma as importações e também ajudando a indústria portuguesa. Essa forma é saber ler um código de barras. Em todos os produtos existe um código de barras. Nele consta o código do país em que é produzido, o código da empresa e o código do produto. O código mais comum é o EAN 13. Tem 13 dígitos, sendo os 3 primeiros do lado esquerdo os que indicam o código do país em que o produto é produzido. Se o código de barras começar por 560, é porque o produto é português. Se forem 841, 842 ou 843 é porque são produzidos em Espanha, se for 800 é Itália, 400 Alemanha, 871 Holanda, 500 Reino Unido....há links na internet onde se pode encontrar listas com os códigos dos países. Basta procurar no GOOGLE por EAN 13 code bar.
Vamos ajudar Portugal. Basta olhar para os códigos de barras e tentar comprar mais produtos portugueses. É um esforço simples e uma pequena contribuição de cada um de nós para estimularmos a nossa economia, as nossas indústrias para que hajam menos despedimentos e maior produtividade na nossa economia.

quarta-feira, maio 25, 2005

As medidas de combate ao défice

Ora aí estão as medidas de combate ao défice. Desde já, e como funcionário público, dou os parabéns ao Primeiro Ministro e ao Ministro das Finanças pelas medidas anunciadas. Não é justo que os funcionário públicos sejam tratados de uma forma e os do sector privado de outra. Os direitos e os deveres devem ser iguais. Há muito que defendo que os regimes de segurança social deveriam ser todos iguais, sem excepções. Parece que assim vai ser. Acaba-se ADSE,ADMG...
Será mais justo, pois se tem de haver sacrifícios que eles sejam para todos. Não há justificação para a idade de reforma ser desigual, para a segurança social ser desigual, as comparticipações serem desiguais...
Assim se cria justiça social.
Não é só no curto prazo que se deve actuar. Temos de pensar no futuro, no desenvolvimento, na capacidade de investir. É necessário criar desenvolvimento no interior do país. O litoral está saturado. Há que atrair investidores para o interior mas só com investimento em acessos, comunicações, se consegue captar esses investidores. Com isso fixa-se a população no interior, cria-se riqueza e acima de tudo competitividade.

terça-feira, maio 24, 2005

O Défice...

Desde 2002 que só ouvimos falar do défice. A verdade é que tudo está na mesma, mas com uma diferença importante: estamos bem pior. Se o valor anunciado então pela Ministra Ferreira Leite era de 4,1%, agora contamos com 6,83%. Estivemos dois anos sem aumentos na função Pública, aumento do Iva de 17% para 19% (uma medida que deveria ser de 7 meses, como anunciado), aumento de ISP, aumentos de tabaco, aumento de IA, venda de património, cobrança de dívidas atrasadas através do célebre programa de recuperação de dívidas voluntariamente...a pergunta que se coloca neste momento é o seguinte: para onde foi todo o dinheiro proveniente deste sacrifício de todos os portugueses? Terão ido para os submarinos ou para os veículos da GNR no iraque? Para ps "amigos" da coligação?
A realidade é esta: vamos ter novos aumentos, novos sacrifícios, congelamento de salários e o rendimento disponível para consumo é nulo.
Os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. Quando existem aumentos na função pública, se for de 2% num ordenado de 500€, o aumento será de 10€, enquanto os mesmos 2% num ordenado de 3000€ será de 60€. A grande injustiça está aqui. Promovem-se as desigualdades, não há coragem para mudar este tipo de situações. Em vez da percentagem deveria haver aumentos com base em valores reais, ou seja, por exemplo, aumento de 15€ para todos os funcionários. Haveria na mesma aumentos mas o Estado estaria a poupar com os ordenados mais elevados e promovia uma justiça social e a diminuição das desigualdades.
É necessário mentalizar a população de que é preciso especializarem-se, serem eficientes, produtivos e acima de tudo incentivar o estudo.
As escolas vivem num perfeito lascismo. Facilita-se, os programas são desaquados e desmotivadores, promovendo o abandono escolar.
É necessário apostaR na modernização do Estado. O Estado deve modernizar-se, simplificar processos, diminuir a burocracia de forma a que possa haver maior produtividade, melhor desempenho, maior satisfação de que usufrui dos serviços públicos, levando desta forma a uma redestribuição de pessoas e eliminando postos de trabalho em excesso, que deixaram de fazer sentido, por via das reformas e limitando as entradas ao estritamente necessário.
Assim, a médio, longo prazo, veríamos resolvidos alguns dos problemas estruturais da nossa Administração Pública, contribuindo para a redução de gastos, logo do défice.