domingo, dezembro 04, 2016

Município da Anadia na vanguarda da mobilidade eléctrica

O Município da Anadia aderiu à rede de carregamento de veículos eléctricos mobi.e, permitindo que seja possível carregar este tipo de veículos enquanto se visita o município.

Mais municípios deveriam seguir este exemplo, pois um ponto de carregamento de veículos eléctricos é um factor de atractividade (veja-se a abertura recente do corredor para o Algarve).

terça-feira, setembro 11, 2012

Será este o caminho?

De austeridade em austeridade, os portugueses têm aguentado sem contestação as medidas que nos têm sido impostas pela Troika. Mas como tudo na vida, há limites para tanta austeridade.
Como sempre defendi, esta situação de défice excessivo e endividamento não poderia ser resolvida num período de tempo tão curto quanto a que nos estava a ser imposta pela Troika. O tempo veio dar-me razão e lá teremos mais um ano para tentar equilibrar as contas do Estado.
No entanto, neste período de tempo, retirou-se dinheiro, muito dinheiro das famílias (e consequentemente do consumo interno). A atividade económica travou a fundo, as falências dispararam, a economia arrefeceu, o desemprego galopou, o PIB caíu (consequentemente a dívida em % do PIB aumentou), o aumento das taxas do IVA falhou no seu objetivo (3 mil milhões abaixo do orçamentado)...a questão que se coloca é esta: será que este arrefecimento brutal da economia não provocou o estado de agonia do "doente"? Será que não nos levará a uma espiral recessiva como se verifica na Grécia?
Estamos num momento político difícil. A saída do "túnel" não se vislumbra, o Governo falhou e está a perder o apoio que o sustenta, as pessoas estão cada dia mais descontentes, desconfiadas, desiludidas.
Perante isto, mais um ataque aos bolsos dos contribuintes, via contribuições para a Segurança Social. E em troca? Mais uns milhões de poupança para grandes empresas monopolistas que não irão baixar os seus preços só para agradar ao Sr. Ministro das Finanças. Mas imaginemos que todas as empresas baixavam os preços dos seus produtos, qual o impacto? Menos receita de IVA. Mas e se o consumo interno baixar? Menos receita de IVA e menos emprego.
A expectativa de evolução do consumo interno é negativa. Há um sério risco de cair brutalmente, com impactos importantes na evolução do PIB, que o Sr. Ministro anunciou que ficaria em -1% em 2013.
Aguardemos para ver quem afinal terá razão...

terça-feira, setembro 27, 2011

MCDT

Os meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT) desempenham um papel fundamental na actividade clínica, possibilitando ao médico prescrever ao paciente o tratamento mais ajustado em cada momento. A evolução tecnológica verificada nos últimos anos, permite oferecer actualmente um leque alargado de novos meios complementares, suportados na mais sofisticada tecnologia. Existem dois tipos de meios complementares - os de diagnóstico e os de terapêutica.

O sector dos MCDT sempre se pautou por uma elevada diferenciação tecnológica incorporada em cada equipamento, aliado a um software médico cada vez mais avançado, traduzindo-se num constante e elevado custo de investigação e desenvolvimento para a indústria. O investimento necessário à instalação deste tipo de equipamento é bastante elevado, o que tornou necessário a definição de critérios técnicos e clínicos mais apertados para a instalação de alguns destes equipamentos, além de ratios populacionais. A Resolução do Conselho de Ministros n.º 61/95, de 28 de Junho, estabelece os ratios a que deve obedecer a instalação do equipamento médico pesado, nomeadamente para as áreas de Angiografia Digital, Radioterapia Externa, Braquiterapia, Tomografia de emissão de positrões, Câmaras gama e Radiocirurgia com gamma knife.

A forma mais comum de realização de MCDT é através de prescrição médica. No entanto, assiste sempre ao utente a possibilidade de se auto propor à realização de um determinado exame. Contudo, neste caso, os custos da realização desse exame serão integralmente suportados pelo utente.

Actualmente, centenas de prestadores públicos e privados possibilitam a realização de MCDT, oferecendo ao utente um alargado e diversificado leque de opções, com excelentes tempos de resposta. A realização de MCDT envolve um custo elevado para a entidade responsável pelo pagamento dos cuidados de saúde (SNS, subsistemas de saúde, seguros de saúde ou o próprio utente).

O grande desafio que se coloca nos dias de hoje ao sector dos MCDT, centra-se na necessidade de optimizar a capacidade instalada nos prestadores públicos. A ineficiência que se verifica pode resultar de diversos factores:

Pressão da procura – a prescrição de MCDT sem critérios de necessidade bem identificados e justificados, resulta em realização de exames desnecessários. Na maioria das vezes, ao procurar aumentar a eficiência do prestador, não se actua do lado da procura, mas sim do lado da oferta - reforça-se a capacidade e contratam-se mais recursos;

Inexistência de guidelines (protocolos) terapêuticos – as boas práticas clínicas recomendam a implementação de guidelines terapêuticos para o tratamento de diversas patologias. Estes guidelines permitem definir um padrão de tratamento, traduzindo-se numa uniformização de procedimentos. Como exemplo, se para uma determinada patologia um determinado guideline recomendar a prescrição de um exame de Tomografia Axial Computorizada (TAC), e o clínico prescrever um exame de Ressonância Magnética, só com uma justificação bem fundamentada deverá ser realizada. Assim, evita-se a aplicação de um exame complementar mais diferenciado e com maior consumo de recursos e liberta-se essa capacidade para as situações que necessitam realmente da realização desse exame;

Fraca capacidade de fixação de recursos humanos diferenciados / modelo de remuneração pouco atractivo – um dos grandes desafios que se colocam aos prestadores públicos de MCDT é a fixação de recursos técnicos altamente especializados e diferenciados, em especial nas regiões do interior. Os grandes centros públicos prestadores de MCDT encontram-se instalados nos hospitais do SNS e, como sabemos, os hospitais mais diferenciados encontram-se nas grandes áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, por servirem um grande número de pessoas e, nalguns casos, vocacionados para o ensino e para a investigação. Um hospital do interior, com uma baixa diferenciação, tem actualmente grande dificuldade em contratar um médico. Pelo contrário, nos grandes centros hospitalares e hospitais centrais, por via de uma maior diferenciação, existem mais e melhores equipamentos ao dispor dos profissionais, motivando-os. De igual forma, devido à escassez de profissionais nas áreas dos MCDT, surgem variadas oportunidades de trabalho no sector privado, com ofertas remuneratórias bastante atractivas, e que são uma oportunidade para compensar os baixos salários auferidos por estes profissionais no sector público. Contudo, coloca-se o desafio ao sector público, em plena crise económica e de redução de custos com a saúde, de ponderar o modelo remuneratório dos profissionais médicos, e avaliar a capacidade de introduzir um modelo remuneratório individual e por objectivos, baseado em critérios de diferenciação técnica, que motive os profissionais a realizar mais para ganhar mais;

Inexistência de uma rede de informação robusta que permita a consulta e a requisição de exames entre os centros de saúde / Unidades de Saúde Familiares (USF) e os hospitais / prestadores privados – um determinado utente que realize MCDT numa ida à urgência, caso queira ser depois seguido no seu centro de saúde / USF pelo seu médico de família, tem de levar consigo os exames que realizou. Mas, caso não os possua, o médico de família irá prescrever novos exames, alguns deles repetidos. Desta forma, a existência de uma rede de informação e a possibilidade de partilha dos resultados dos exames realizados pelos utentes, quer tenham sido realizados num determinado laboratório privado ou num hospital público, pelos centros de saúde e até pelos médicos privados (clínicas privadas, hospitais privados), irá permitir uma redução drástica dos MCDT realizados. Tal medida, teria grandes implicações ao nível dos custos do SNS e permitiria optimizar os recursos instalados nos prestadores públicos, reduzindo a necessidade de contratação externa de alguns serviços. Mas os benefícios são mais vastos e podem ter impacto na produtividade e na qualidade de vida dos utentes. Na maioria das vezes, a realização de MCDT implica deslocações (algumas de grandes distâncias) e ausências no trabalho. Reduzindo a realização de MCDT por uma melhoria da partilha de informação, melhora-se os ganhos de eficiência, de produtividade para o país, e de qualidade de vida para o utente.

Deve ser ressalvada a evolução paradoxal que se tem verificado no sector da saúde: por um lado, equipamentos de alta diferenciação técnica, com softwares de última geração, implementação de soluções integradas de gestão (ERP’s) e sistemas de paper free, por outro, fraco / nenhum investimento na rede informática da saúde e limitações na partilha de informação.

Existem diversas oportunidades nesta área que podem e devem ser exploradas, que permitirão optimizar os serviços a disponibilizar ao utente, e ao mesmo tempo proporcionar cuidados de saúde de qualidade a um custo mais reduzido.

Este artigo encontra-se igualmente publicado na Plataforma Barómetro Social, área Saúde.

Daniel Galvoeira

sexta-feira, julho 22, 2011